segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Punto T-Jet vs Polo GT.




Símbolos de status e exclusividade, carros em versões esportivas são objetos raros no Brasil. Com o fim da produção do Golf GTI, o mercado ficou desfalcado nesse setor, deixando a coroa para a Honda e seu feroz Civic SI. Mas o reinado do esportivo japonês ganhou um rival: o Punto T-Jet, que abriu espaço para mais potência no segmento dos hatchs compactos. Correndo pelos flancos, até para compensar sua ausência no ramo, a VW tem à disposição a linha GT para Golf e Polo. No primeiro, nenhuma diferença nem novas emoções. O motor 2.0 flex 8V de até 120 cv já faz parte do catálogo do carro. Mas no Polo a história é outra. Mais leve e com visual arrojado, o modelo é um concorrente em potencial para o modelo da Fiat. Vamos já para a pista resolver essa briga!

O Punto T-Jet é um “quase Abarth”. O motor 1.4 16V com turbocompressor de 1,0 Bar de pressão, que gera 152 cv a 5 500 rpm e 21,1 kgfm de torque em 2 250 kgfm, é o mesmo da série vendida na Europa, assim como suas belas rodas customizadas aro 17”. Dirigi-lo é interessante. Seu volante tem boa pegada e o motor responde com força, mas o manejo do câmbio de 5 marchas, ainda que melhorado em relação aos demais modelos da gama, tem lá suas limitações. Por outro lado, o carro também conta com suspensão mais firme e pneus mais largos (205/50 R17), o que lhe permite ser mais agressivo nas curvas.

Já o Polo GT atinge o pico de sua potência de 120 cv a 5 250 rpm, enquanto o torque máximo de 17,3 kgfm está disponível a 2 250 rpm. É bastante coisa também, ainda mais levando-se em conta que o carro pesa apenas 1 142 kg. Porém, seu conjunto de suspensão é comportado demais em relação ao rival turbinado. Ajustado para o uso urbano, o modelo da VW corta as asinhas da esportividade em nome do conforto. Mas quando exigido, o “capetinha” da VW também pode surpreender à sua maneira.

Acelerando fundo

Começamos as comparações de desempenho pela prova do 0 a 100 km/h, sempre a mais comentada em rodas de amigos. Largando forte com o Polo GT, elevando o giro do motor ao ponto de torque máximo, o carro saiu com vontade para fechar o cronômetro em 9s6. Agora é a vez do Punto T-Jet. Partindo da mesma forma, o carro literalmente lixa o chão e atinge os três dígitos do ponteiro em 8s8. São 0s8 de vantagem para o modelo da Fiat, que abre uma diferença de mais de 15 metros de distância entre os carros.

Se depender de todas as provas de aceleração partindo da imobilidade (0 a 60 km/h, 80 km/h, 100 km/h, 120 km/h e 140 km/h), o carro da Volks terminará o comparativo tossindo terra. De 0 a 60 km/h, o Fiat é 0s2 mais rápido, diferença que aumenta para 2s6 no 0 a 140 km/h. Mas o Polo GT tem uma carta na manga. Ou melhor, duas. Nos ensaios de retomada, o hatch alemão vence o italiano no teste de 40 a 100 km/h, com 7s3 contra 7s6 do Punto, e de 60 a 120 km/h, com 9s0 ante 10s6. Mas o turbo do T-Jet fala mais alto ao retomar de 80 a 120 km/h: 6s8 contra 7s1 do VW. Isso acontece por que o Polo tem uma linha de aceleração mais uniforme graças à maior cilindrada, enquanto o modelo turbo dá um estalo de arrancada a partir de 2 000 rpm.

Agora é hora de pisar fundo, mas desta vez no freio. Vindo a 120 km/h, o Polo GT só parou totalmente depois de percorrer de 59,3 metros de distância. Nas provas em que o carro veio a 100 km/h e a 80 km/h, foram precisos 41,6 m e 26,8 m até imobilizar o veículo, respectivamente. São bons números atingidos graças ao sistema de freio a disco nas quatro rodas com ABS. Mas não é o suficiente para vencer o Punto T-Jet, que registrou 58,2 m (120 km/h a 0), 40,5 m (100 km/h a 0) e 25,6 m (80 km/h a 0) nos mesmos testes. Em média, o modelo da Fiat, que também possui quatro discos para frenagem, parou 1 metro antes do carro da Volkswagen.

Está preocupado com o consumo? Vamos lá. Nesse ponto, o Polo GT leva uma certa vantagem por ser bicombustível, mas por outro lado apresentou números elevados para um carro leve. Rodando somente com álcool, o motor 2.0 8V consumiu 6,2 km/l em ciclo urbano e 8,7 km/l em regime rodoviário, fechando uma média de 7,4 km/l. O Punto T-Jet, que só roda com gasolina, marcou 9,7 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada, fechando um ciclo combinado de 10,4 km/l.

Vestidos para correr

Se levassem a esportividade realmente a sério, os dois carros, para começo de conversa, teriam apenas 2 portas. Mas esse é um charme muito caro para o mercado brasileiro, por isso os dois modelos são oferecidos somente na opção com carroceria 4 portas. A customização também é importante e demonstra o investimento na mecânica superior, além de tornar tanto o Polo como o Punto automóveis de visual bem mais apurado e interessante, ainda que cada um adote um estilo distinto.

O Polo GT é mais contido em sua alteração visual. Na versão esportiva, o modelo conta com rodas de alumínio aro 15” e a grade frontal, com moldura filetada na cor da carroceria, segue o mesmo estilo do modelo GTI com motor 1.8 turbo de 150 cv (que faz o “I”...) – para quem não lembra, a Volkswagen importou um pequeno lote dessa versão em 2006. Por dentro, a variante, exceto pelo volante e a costura no pomo do câmbio, é exatamente igual ao Polo Sportline, conhecido pela qualidade de seu acabamento e disposição de equipamentos. Uma pena o carro não possuir bancos concha com revestimento de tecido quadriculado, como o dos modelos GTI da VW na Europa.

O Punto T-Jet é mais espalhafatoso, quando não exagerado no estilo. Suas rodas são chamativas, enquanto os para-lamas possuem molduras plásticas que parecem ter saído da linha Adventure da Fiat, porém, com um caimento mais “Racing”, digamos assim. Completando a descrição do visual externo, o modelo ainda possui dois canos de escape com revestimento cromado. Mas ao entrar no carro, boa parte do bom gosto da decoração externa cai por água abaixo com o painel pintado na mesma cor da carroceria (amarelo, branco, vermelho ou preto). Mas o Punto mais potente da série conta com excelentes bancos, painel com fundo preto e pedaleiras com capa de alumínio. Em termos de comparação, o T-Jet é mais completo no quesito esportividade.

Quanto vale a esportividade?


O modelo da Fiat é mais potente, melhor equipado e, segundo nossos números de teste, acelera e freia melhor que o Polo GT. Mas isso quer dizer também que ele é mais caro: R$ 60 930, valor que pode subir para R$ 72 247 com o acréscimo de pintura metálica (R$ 874), ar-condicionado digital (R$ 1 065), sistema Blue & Me (R$ 1 130), airbags frontais e do tipo cortina (R$ 2 624), teto solar elétrico Skydome (R$ 5 490) e Kit High Tech (R$ 890), pacote que inclui sensores de chuva e crepuscular e retrovisor com filtro de luz (eletrocrômico).

O Polo GT, mais fraco e coberto de poeira levantada pelo Punto turbo na pista, custa R$ 51 530, preço, que assim como o do Fiat, pode subir até R$ 56 166 com itens opcionais. São eles: pintura metálica (R$ 1 395), teto solar elétrico (R$ 2 012), lanterna de neblina (R$ 152) e módulo tecnológico (R$ 1 077), que inclui sensor de chuva e crepuscular e retrovisor eletrocrômico. O nível de equipamentos do VW é comparável ao do T-Jet, apesar de algumas limitações, e não soma um valor tão alto na calculadora como seu rival.

Mas na cotação de seguros até o mais destemido dos pilotos leva um susto. Porém, quem aposta no valor mais alto para o Punto por conta de seu motor turbo se engana feio. O seguro do Fiat para um motorista de 40 anos, casado e que roda cerca de 15 000 km por ano é cotado em uma média de R$ 3 600 anuais. A conta média para o Polo GT, com seu motor 2.0 aspirado, um propulsor comum, chega a altos R$ 8 500. É mais barato segurar um sedã executivo Audi A6 (R$ 5 700 por ano) ou um SUV Kia Mohave (R$ 8 900).

Mais uma surpresa do T-Jet, desta vez na cotação da cesta de peças básicas, composta por para-lama dianteiro, retrovisor, jogo de pastilhas e amortecedores dianteiros. Na rede autorizada da Fiat, o conjunto sai por R$ 1 849,97. A mesma lista de itens para o GT nos pontos oficias da Volks custa R$ 2 237,51. A única peça mais cara do Punto em relação ao Polo é justamente a pastilha de freio (R$ 231,37 contra R$ 136,03), compensando assim seu melhor resultado nas provas de frenagem.

Bandeirada

A sigla GT da Volkswagen está bem representada no Polo. O carro é leve, seu câmbio tem funcionamento bem mais acertado para quem gosta de acelerar e seu motor tem bastante potência. Mas ainda assim, seu desempenho não corresponde ao visual esportivo.

O carro da Fiat é mais caro, mas seu propulsor 1.4 16V turbo está na vanguarda da tecnologia do downsizing, que extrai mais potência de motores cada vez menores. Diferente de seu concorrente alemão, o Punto T-Jet é esportivo de verdade. E por isso merece a vitória.

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